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Golpe do 'Limpa Nome' esconde mais de R$ 30 milhões em dívidas no interior de SP; entenda



Associações, advogados e juízes são investigados na “Indústria do Limpa Nome”
Um esquema de fraude milionário, que ocorre em todo o Brasil, escondeu mais de R$ 30 milhões de dívidas em Presidente Prudente, Bauru, São José do Rio Preto, Itapetininga e Sorocaba (SP) somente em 2026.
O g1 teve acesso ao levantamento realizado pelos Cartórios de Protesto. Em cada cidade do interior paulista, o prejuízo é milionário. A fraude foi noticiada pelo Fantástico em maio deste ano. Assista à reportagem acima.
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Na prática, a pessoa devedora acredita que o nome foi limpo após falsa promessa de anúncios dos criminosos. No entanto, a dívida não é cancelada. Os Cartórios de Protesto nomearam a situação como “Golpe do Limpa Nome”. Confira a situação por região:
Presidente Prudente
R$ 5,4 milhões em dívidas deixaram de aparecer nas consultas públicas de crédito em 2026;
404 protestos deixaram de aparecer nas consultas públicas;
60 credores foram afetados.
Bauru
R$ 4,3 milhões em dívidas deixaram de aparecer nas consultas públicas de crédito em 2026;
1.149 protestos deixaram de aparecer nas consultas públicas;
90 credores foram afetados.
São José do Rio Preto
R$ 9,2 milhões em dívidas deixaram de aparecer nas consultas públicas de crédito em 2026;
1.610 protestos deixaram de aparecer nas consultas públicas;
150 credores foram afetados.
Itapetininga
R$ 2 milhões em dívidas deixaram de aparecer nas consultas públicas de crédito em 2026;
664 protestos deixaram de aparecer nas consultas públicas;
70 credores foram afetados.
Sorocaba
R$ 9,3 milhões em dívidas deixaram de aparecer nas consultas públicas de crédito em 2026;
1.860 protestos deixaram de aparecer nas consultas públicas;
170 credores foram afetados.
Segundo a instituição pública, o protesto permanece válido e ativo no cartório onde foi feito, mas deixa de ser exibido em sistemas nacionais de consulta e em plataformas utilizadas pelo mercado para verificar a situação financeira de pessoas físicas e jurídicas.
A situação cria uma aparência artificial de que a pessoa não possui mais dívida, o que pode induzir terceiros a erro em operações comerciais, financiamentos, vendas a prazo e contratação de serviços.
Nos últimos cinco anos, mais de 66 mil credores brasileiros tiveram informações sobre seus créditos retiradas das consultas nacionais.
Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes
Fantástico/ Reprodução
Repercussão nacional
Conforme os Cartórios de Protesto, o crescimento desses casos ganhou repercussão no Brasil e levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a editar a norma específica, provimento nº 225/26, para monitorar decisões judiciais que determinam a retirada de protestos das consultas públicas de crédito.
A mudança na norma específica pelo CNJ ajuda a ampliar o acompanhamento nacional do golpe e os impactos sobre a segurança do mercado.
Para especialistas, o prejuízo ultrapassa a esfera individual dos credores atingidos. Quando informações relevantes sobre inadimplência deixam de ser acessíveis ao mercado sem que a dívida tenha sido quitada, aumenta-se o risco das operações econômicas, encarece-se o crédito e reduz-se a segurança das relações comerciais.
“A publicidade dos protestos é fundamental para o funcionamento do mercado de crédito. Quando uma dívida válida deixa de aparecer nas consultas públicas sem que tenha sido paga, cria-se uma distorção que prejudica credores”, afirma Alexandre Arcaro, presidente do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção São Paulo (IEPTB/SP).
Segundo o representante do instituto, isso compromete a transparência das relações comerciais e aumenta o risco para todos aqueles que concedem crédito ou realizam negócios.
A publicidade das dívidas protestadas é garantida pela legislação brasileira e reforçada pelas Leis Federais nº 9.492/1997 e nº 14.382/2022.
Estas leis asseguram o acesso público às informações de inadimplemento justamente para permitir maior segurança jurídica, estimular soluções negociais e auxiliar a tomada de decisões por cidadãos, empresas e instituições financeiras, conforme o instituto.
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